Postado por Adriana Gomes em 2 de maio de 2011 | Mercado de Trabalho

Profissionais brasileiros agora querem atividades que tragam realização

 

Com o processo de mudança na pirâmide demográfica no Brasil, a permanência de profissionais no mercado de trabalho ganha novos sentidos. No lugar de buscar apenas um complemento de renda, os profissionais agora querem atividades que tragam realização. Autora do livro Mudança de carreira e transformação da identidade, a professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP) Adriana Gomes observa que as pessoas querem satisfação nas relações de trabalho. “Elas percebem, ao longo do tempo, que sua atividade não traz mais felicidade, mesmo que sejam bem remuneradas. Falta o aplauso interno. Aí, podem até mesmo adoecer e ficar deprimidas”, diz.

A professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em mercado de trabalho Débora Barem explica que, no momento da transição, as pessoas buscam liberdade. “O que mais incomoda é cumprir horário. Elas querem tempo livre para cuidar da vida. Desejam se sentir úteis sem serem constrangidas em suas atividades pessoais. A área de consultoria, por exemplo, é uma opção”, sugere. A seu ver, o trabalhador não deve pensar na mudança apenas perto da hora de se aposentar, mas planejar sua trajetória desde o momento em que sai da universidade.

Voo alto
De olho num mercado que se abre, Tânia Tiemi Komatsu, 44 anos, está cursando faculdade de administração a fim de ingressar no mercado de trabalho. “Eu me dedico aos livros em tempo integral. Quando terminar, quero atuar na minha área. Há emprego, mas falta gente capacitada”, sustenta. Após terminar o ensino médio, em 1986, ela fez vestibulares, mas não obteve sucesso. Morou no Japão, país de sua família, e trabalhou como operária. De volta ao Brasil, foi incentivada a retomar os estudos.

Colega de curso de Tânia, Paulo Henrique Ottoni Macedo, 45 anos, está no quinto semestre do curso. “O mercado exige o nível superior e estou me adequando”, justifica. Paulo ingressou no curso de psicologia em 1984, mas não o concluiu. “Agora (ao optar pela administração), notei a necessidade de estudar. Pretendo fazer ainda uma especialização. Depois, quero voar mais alto e conseguir um cargo de destaquena minha área.” 

 
Correio Brasiliense  ?  Publicação: 24/04/2011

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