Descritivo dos Enfoques

FRASES QUE CONDENAM O CANDIDATO NUMA ENTREVISTA DE EMPREGO
...Cuidado com a Subjetividade na Hora da Entrevista


O PERFECCIONISMO PODE DIFICULTAR SEU SUCESSO


FAIXA DE EXCLUSÃO





FRASES QUE CONDENAM O CANDIDATO NUMA ENTREVISTA DE EMPREGO
...cuidado com a Subjetividade na Hora da Entrevista

...É assim que a vice-presidente do Grupo Catho, Adriana Gomes, define a entrevista: um momento permeado de subjetividade em meio a muitas atitudes.

...- "Acho que podemos enumerar vários cuidados que o candidato deve ter no momento da entrevista para que a sua contratação não fique comprometida".

...Segundo ela, se o profissional chegou até a entrevista é porque já teve o seu currículo analisado e está dentro do perfil definido pela empresa. O que o entrevistador pretende, no momento da entrevista, é medir a postura, as atitudes e os conhecimentos técnicos deste candidato.

...- "E isso tudo é medido ao mesmo tempo, durante a entrevista, sem esquecer que todas as atitudes do candidato continuam sendo observadas depois da contratação".

...Adriana enumera as principais falhas cometidas em entrevistas de emprego, inclusive em forma de frases:

Inverdades
..."Mentiras e inverdades têm pernas curtas, principalmente quando as situações inventadas não condizem com o profissional que está sendo avaliado. E isso independe da posição que ele irá ocupar ou da empresa em que irá trabalhar. Não minta no currículo e na entrevista; trabalhe somente com experiências e competências reais."

Não estar dentro do perfil da vaga
..."Muitos candidatos enviam os seus currículos para tudo quanto é lado na esperança de conseguir um emprego; é bom saber que esta atitude quase nunca funciona. Esta atitude pode ser reconhecida com a frase: "Ah, eu não tenho o perfil exato que a empresa procura, mas vou mandar o meu currículo mesmo assim..."
...Tenha certeza de que aquela vaga se encaixa com o seu perfil profissional antes de enviar o seu currículo ou marcar uma entrevista.
...No mínimo, navegue pelo site da empresa para saber como ela trabalha e como é a área em que ela atua. O essencial é ter conhecimento desta área e dominar tecnicamente a função que irá desempenhar. Uma dica é procurar nos anúncios de emprego da Internet e de jornais algumas palavras-chaves do que a empresa espera do futuro colaborador.

Insegurança
..."A insegurança do entrevistado é transmitida pela lentidão para responder perguntas, pela falta de precisão em sua respostas e pela falta de exemplos para dar quando solicitados. É importante não confundir nervosismo (que é normal durante um processo seletivo) com insegurança. O entrevistador saber separar as duas coisas e vai insistir no que quer saber até o entrevistado responder."

Saiba sobre o seu currículo
..."Durante a entrevista, o mínimo que o entrevistador espera do entrevistado é que ele saiba os detalhes da sua vida profissional, como o motivo de alguns períodos em branco no histórico profissional, por exemplo. O currículo é a história da vida do candidato. Ele não está ali para responder perguntas sobre a vida de D. Pedro I ou questões de História do Brasil, mas sim detalhes sobre um personagem que ele conhecer muito bem: ele mesmo. Para isso, o que vale é estar preparado para responder qualquer dúvida que o futuro empregador venha a ter com relação a ele."

Falta de iniciativa
..."Aqui cabe um exemplo de frase, mais uma vez: Acho que consigo fazer isso, mas só vou ter certeza depois do meu dia-a-dia de trabalho."

Desmotivação
..."O entrevistador percebe a motivação do candidato pelo interesse que ele tem pela empresa e pela vaga que vai ocupar. Pergunte."

Um fraco aperto de mão
..."Não há atitude que demonstre mais medo e falta de decisão do que um aperto de mão fraco. Aperte a mão do seu entrevistador com firmeza e segurança."

Interesse na remuneração
..."Cabe à empresa, por meio do profissional que está comandado o processo de seleção, tocar falar sobre remuneração. Se o profissional foi procurado por uma empresa que sabe o valor da sua última remuneração, existem 99% de chances de o salário oferecido ser maior do que o que ele recebia."

Gírias
..."A entrevista de emprego deve ser encarada como uma conversa formal. Não use gírias."

Erros de Português
..."Errar na hora de escrever ou de falar no nosso idioma tira pontos de qualquer profissional concorrente à qualquer vaga, em qualquer empresa."

Imprecisão
..."Ah, eu acho que..." e "Ah, não sei..." são frases típicas de quem não tem muita certeza das coisas. É melhor evitá-las durante a entrevista de emprego. A resposta não sei só é perdoável se a pergunta for muito abrangente."

...Adriana Gomes lembra que, muitas vezes, estas atitudes são tão subjetivas que o candidato nem percebe que está errando. "Cuidado quando falar que acha determinada tarefa muito complicada ou que não sabe se dá para trabalhar dentro do prazo estipulado pela empresa. Todo cuidado é válido."

...Newsletter Carreira e Sucesso
...02 de Janeiro de 2002

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O PERFECCIONISMO PODE DIFICULTAR SEU SUCESSO

...Ao contrário do senso comum, a característica não está ligada à excelência, mas ao esforço obsessivo para evitar a falha

...Maria de Lima

...Muitas pessoas que se definem perfeccionistas falam sobre seu modo de ser como se fosse um dom especial, porque associam a característica ao alto desempenho e à busca da excelência. No entanto, ao contrário da crença popular, o perfeccionismo está mais ligado ao medo do fracasso do que ao esforço consciente visando a atingir qualidade superior, e, consequentemente, o sucesso. As perspectivas do perfeccionista são diferentes das do funcionário zeloso e dedicado. Enquanto o primeiro tenta, de forma obsessiva, evitar o erro e tornar-se perfeito, o segundo compromete-se a oferecer o melhor de si e seguir aprendendo, mesmo diante das falhas.

...Esforçar-se a fim de garantir a qualidade de seu trabalho é saudável e é até indispensável para sobreviver e crescer no competitivo mundo dos negócios de hoje. Mas distinguir-se pela excelência exige a definição de metas realistas e atingíveis. É diferente do perfeccionismo, cujo padrão de exigência na maioria das vezes está fora da realidade. Para o perfeccionista não existe meio-termo: é a perfeição ou nada. Nunca se satisfaz com o próprio desempenho e refaz tanto uma tarefa que acaba perdendo a originalidade da idéia. Isso pode conduzir-lhe a outro problema: a procrastinação. Se você acreditar que a única saída é fazer uma atividade perfeita, pode criar desculpas para adiar ou evitar tarefas mais difíceis e desafiadoras.

...O psiquiatra e consultor de empresas Paulo Gaudencio afirma que o perfeccionismo é um desajuste emocional que afeta todos os campos da vida, e é um problema mais comum do que ele mesmo imaginava. "O perfeccionista é auto-suficiente, não precisa de inimigo, ele se basta", diz. Brincadeira à parte, Gaudencio cita quatro conseqüências negativas relacionadas ao problema:

...Insatisfação - Falta alegria e contentamento na vida do perfeccionista. Ele trabalha arduamente e nunca consegue atingir seus objetivos porque suas expectativas são irreais. "A perfeição é impossível ao ser humano", lembra Gaudencio, destacando que, ao fazer uma auto-avaliação a pessoa orientada para a excelência se dá uma nota, já o perfeccionista lamenta o que deixou de obter.

...Auto-estima - O fato de nunca atingir suas metas o torna frustrado, reduz sua auto-estima e o sentimento de valor próprio. "O perfeccionista sente-se inferior e realmente é inferior em relação ao que se cobra", explica Gaudencio.

...Produtividade - Dedica-se tanto para aprimorar uma tarefa que acaba fazendo muito pouco. "O perfeccionismo é improdutivo, quando não paralisante. Ainda que produza, produz muito pouco e chega ao fim do percurso exausto", diz o psiquiatra citando a máxima popular "o perfeito é inimigo do bom".

...Relações interpessoais - "O perfeccionista cobra a perfeição dele e de todos e a única coisa que consegue ser é um perfeito chato. É a única neurose que trás orgulho", frisa Gaudencio, referindo-se ao fato de o perfeccionismo ser visto como qualidade positiva por muitas pessoas.

...O tempo é implacável em quase tudo na vida, principalmente no mundo corporativo, onde muitas vezes sobressai-se o mais rápido, e não o melhor. De que adiantaria, por exemplo, você se esmerar para produzir um relatório impecável se no dia da apresentação seu trabalho não estiver pronto? Embora muitas pessoas bem-sucedidas sejam perfeccionistas, essa não é uma condição para realização pessoal e profissional, como muitos imaginam. Aliás, existem fortes evidências de que ocorre justamente o oposto. Pesquisas indicam que os perfeccionistas produzem menos e têm menos chances de atingir o sucesso do que as pessoas menos exigentes consigo e com os outros.

..."O perfeccionista tem dificuldades para produzir resultados porque seu nível de exigência é tão elevado que nada o agrada", afirma a doutora em Planejamento de Carreira, Dulce Magalhães, sócia da Work Educação Empresarial. De acordo com a especialista, uma pesquisa feita por uma empresa de seguros americana constatou que os corretores perfeccionistas ganham entre 20% e 30%% a menos que os "normais". "As pessoas que não esperam resultados perfeitos realizam mais e no meio do caminho acabam descobrindo como fazer melhor", opina Dulce.

Quando o bom é melhor que o ótimo

...A headhunter Sandra Moreira, da Manager Assessoria em Recursos Humanos, conta que já acompanhou diversos casos de executivos que, por perfeccionismo, deixa de fazer o "bom" para fazer o "ótimo", mas não entrega o trabalho no prazo, usa mais tempo e recursos que o necessário e por isso, compromete o custo-benefício. Ela ressalta que o mercado exige profissionais arrojados, que tenham iniciativa, assumam riscos, conheçam bem sua equipe, saibam trabalhar o talento, peguem as coisas no ar. Essas pessoas, observa Sandra, precisam não apenas identificar a necessidade do cliente, mas antecipar-se a ela. Esse perfil, na opinião de Sandra, opõe-se ao do perfeccionista, que acaba atrasando processos e decisões por excesso de cautela.

..."O perfeccionista priva-se das próprias idéias. Muitas vezes tem um projeto bom mas fica com tanto receio de que não seja adequado o bastante que não o expõe", comenta Sandra, argumentando que esse tipo de profissional geralmente é muito seletivo em suas ações, não age na hora certa, perde tempo e ainda acaba inibindo a criatividade da equipe com frases como: "está médio"; "poderia ser melhor", "quem sabe da próxima vez...". Ela observa que, se o executivo, por excesso de cuidado, atrasar o lançamento de um produto, o concorrente pode sair na frente. "E ainda que seu produto seja melhor, se chegar ao mercado depois que o de seu concorrente, fica com a idéia de cópia", lembra.

...Sandra alerta, porém, que não está defendendo a negligência no trabalho. Mas, em vez de perfeccionismo, propõe o que chama de "preciosismo". "As pessoas têm de trabalhar com o coração, com entusiasmo e espírito de equipe, celebrando e repartindo suas conquistas, por pequenas que sejam", ensina. "Cada tijolo adicionado na caminhada rumo a seu objetivo tem importância", diz.

...Visão global - Em geral, o perfeccionista preocupa-se mais com sua luta obsessiva pela perfeição do que com as necessidades e exigências reais da empresa. E seu aspecto detalhista demasiado acaba ofuscando a visão do quadro global. "Ao superestimar os pormenores, o perfeccionista pode prejudicar o andamento de um projeto, ou seja: o detalhe pode sacrificar o todo", exemplifica a psicóloga Adriana Gomes, consultora vice-presidente do Grupo Catho. Ela defende, porém, que o perfeccionismo moderado é um ponto positivo na carreira, principalmente quando se trata de cargos em que a precisão e o rigor sejam fundamentais. Na opinião da consultora, o perfeccionismo pode estar relacionado a uma questão cultural, já que as pessoas são constantemente estimuladas a apresentar máxima performance seja no trabalho ou na vida social. Adriana cita como exemplo o ideal de sucesso americano, que pressiona o cidadão a ser o melhor, custe o que custar.

...Perfeccionismo é ligado à depressão - Em um artigo publicado pela American Psychological Association (APA), o psiquiatra Sydney J. Blatt cita um estudo que relaciona o perfeccionismo em pessoas altamente realizadoras à depressão e nos casos mais extremos até ao suicídio. Ele informa que os pesquisadores identificaram três tipos de perfeccionismo: o primeiro orientado para os outros - caracterizado pela ânsia de que as pessoas cumpram exigências e expectativas exageradas e irrealistas- ; o segundo, imposto a si mesmo, e o terceiro, orientado para o social, ou seja: baseado na crença de que os outros mantêm expectativas excessivamente altas e difíceis, se não impossíveis, de ser atendidas. Nesse caso, o perfeccionista acredita que terá de atender a essas exigências para obter a aprovação dos outros. Os dois últimos casos, segundo os pesquisadores, estariam relacionados ao risco de depressão e até o de suicídio.

...Blatt também diferencia o perfeccionismo "normal" do neurótico. Para ele, no primeiro caso o indivíduo mantém a satisfação enquanto luta para exceder-se, sempre tendo em vista as limitações pessoais, alheias e circunstanciais. Já o perfeccionista neurótico mantém a obsessiva necessidade de evitar erros e é incapaz de satisfazer-se com um trabalho considerado bem-feito pelas pessoas menos exigentes.

A perfeição seria fatal para os empreendedores
...Possivelmente a Microsoft não seria o sucesso que é se Bill Gates fosse perfeccionista. Mas para o homem mais rico do mundo, o importante e não é ser o melhor, e sim ser o primeiro. Foi pensando assim que lançou a primeira versão do Windows no mercado. Na época, seu sistema operacional estava longe de ser perfeito, mas nada que o impedisse de atingir seus objetivos. Se Bill Gates tivesse testado o programa exaustivamente até aproximá-lo da perfeição, certamente teria perdido terreno para a concorrência. Seu lema? "Trabalhe para valer, dê resultados e fique rico, sem milagre".

Ciclo vicioso
...Ironicamente, ao tentar evitar o erro, o perfeccionista acaba errando mais. Primeiro, ele mantém perspectivas ilusórias e estabelece metas impossíveis de ser atingidas; depois, fracassa na tentativa de concretizá-las. O obsessivo desejo de chegar à perfeição, aliado aos constantes fracassos em alcançá-la, aumenta sua ansiedade, reduz sua eficácia, provoca-lhe insatisfação e o leva a duvidar do próprio valor. Isso resulta em um desequilíbrio emocional: autocrítica exagerada, autopunição, baixa auto-estima. Quando começa a se recuperar de uma tentativa frustrada, o perfeccionista pensa: "Se me dedicar com mais afinco terei êxito na próxima vez". E o ciclo recomeça.

Perspectivas perfeccionistas versus perspectivas realistas:

Perfeccionista

...Estabelece padrão de exigência rígido demais e inatingível. É motivado mais pelo medo do fracasso do que pelo desejo do sucesso. Isso porque associa os erros com a derrota pessoal e a falta de valor próprio.

  • Nunca fica satisfeito com o próprio desempenho nem com o dos outros. Para ele é 100% ou nada.
  • É vulnerável às falhas. Sente-se inferior e derrotado por não atingir suas metas.
  • Tem dificuldade de lidar com a crítica, vive na defensiva, sempre pronto para o ataque.
  • Não reconhece e respeita os próprios limites nem os dos outros.
  • Vive sobressaltado com medo de errar, e teme que suas falhas sejam vistas pelos outros e ele seja rejeitado por isso. Em outras palavras, teme ser o que é: simplesmente humano, com defeitos e virtudes.

Realista

  • Procura oferecer o melhor de si, mas estabelece metas realistas e alcançáveis, levando em conta os próprios limites, os dos outros e as circunstâncias.
  • É motivado pela busca do sucesso e não pelo medo da derrota. Sente prazer em realizar seu trabalho. Encontra alegria e satisfação ao longo do caminho em direção a seu objetivo.
  • Não vive em função do resultado final. Comemora acertos, aprende com os erros e segue em frente, determinado a atingir seu objetivo.
  • Tem medo de falhar, mas não se permite paralisar pelo medo. Quando não é bem-sucedido numa iniciativa, recupera-se rápido e retorna com energia redobrada.
  • Aceita-se e valoriza-se pelo que é, não condiciona sua felicidade a mais uma conquista nem depende da aprovação dos outros.
  • Sabe estabelecer prioridades e dedica-se mais ao que realmente interessa.


Como transformar o perfeccionismo em hábitos mais saudáveis e eficazes:

  • Observe mais o próprio comportamento. Se identificar alguns traços de perfeccionismo, o primeiro passo é admitir o problema e encará-lo como uma desvantagem que pode limitar seu potencial.
  • Reflita sobre suas atitudes mais comuns, tente descobrir o que está por trás de seu comportamento.
  • Estabeleça metas realistas baseadas em seus valores e não pensando em agradar os outros.
  • Defina bem suas prioridades e certifique-se de que está se dedicando mais às tarefas realmente importantes para seu trabalho, negócio ou para seu projeto de vida.
  • Reconheça-se como uma pessoa de valor pelo ser humano que é, independentemente de suas realizações. De fato, vivemos em uma sociedade que valoriza excessivamente o que o indivíduo faz em detrimento do que ele é. Mas você não é obrigado a adotar esse sistema de valor em sua vida. Aceite-se como é, com suas virtudes e falhas e as pessoas o aceitarão também.
  • O preço do perfeccionismo é alto demais, recuse-se a pagá-lo. Não deixe que o desejo de ser perfeito tire-lhe a satisfação e o prazer da vida. Se deixar o perfeccionismo tomar conta de você, viverá constantemente estressado, exausto e poderá ficar sozinho. Afinal, como ninguém é perfeito, sua companhia se tornaria inadequada, desagradável.
  • Permita-se a errar e não se puna por seus erros, aceite suas limitações. Entenda que as falhas fazem parte da vida de todos, especialmente dos realizadores, e muitas vezes são indispensáveis para o aprendizado e o crescimento. Visualize seu futuro sucesso, em vez de agarrar-se ao aparente fracasso. Analise a situação e veja como poderá agir melhor da próxima vez.
  • Seja tolerante com seus críticos e aprenda com eles, não leve as críticas para o lado pessoal.
  • Comemore mais suas realizações. As pessoas tendem a esquecer e até menosprezar o que já conquistaram. Rever suas conquistas é um bom exercício para aumentar sua autoconfiança.
  • Tente se divertir ao longo de suas atividades. Para isso, pense no processo de aprendizagem em si, viva cada fase, evite apegar-se apenas ao resultado final.
  • Ao sentir frustrado por não ter atingido determinado propósito, reflita sobre a questão, talvez seja mais um objetivo irreal e inatingível. Se for o caso, dê o basta ao sentimento de frustração e siga em frente.
  • Enfrente seus medos. O que você teme? Seu medo é baseado em fatos reais ou imaginários?
  • Avalie quais são seus verdadeiros valores e veja se está vivendo de acordo com eles ou está seguindo princípios impostos pelos outros.
  • Aceite elogios - Ao ser cumprimento por uma tarefa bem-feita, agradeça. Nada de dizer que poderia ter saído melhor ou sair-se com outra desculpa do gênero. Se o elogio foi sincero, ótimo. Se não, o problema é de quem o fez, que está sendo falso, e não seu.
  • Seja mais generoso consigo mesmo. Não leve a vida a ferro e a fogo, aprenda a apreciar a companhia das pessoas queridas, dedique-se mais a amigos, familiares e a atividades que lhe proporcionam alegria e prazer.
  • Compreenda que você não precisa ser 100% para ser feliz. A perfeição é um atributo divino, está fora do alcance dos simples mortais.
  • E se isso não amenizar sua tendência ao perfeccionismo, procure a ajuda de um profissional, afinal é seu bem-estar que está em jogo.

Frases:

..."Vise o sucesso, não a perfeição. Nunca desista de seu direito de errar, porque com isso você vai perder a habilidade de aprender novas coisas e seguir em frente com sua vida. Lembre-se de que o medo sempre se esconde atrás do perfeccionismo. Confrontando seu medo e dando-se o direito de ser humano, pode, paradoxalmente, fazê-lo uma pessoa mais feliz e mais produtiva".
...Dr. David Burns, psiquiatra.

..."Mostre-me alguém que nunca cometeu um erro e lhe mostrarei alguém que nunca realizou muito."
...Joan Collins, atriz

..."O perfeccionismo é inimigo da criação, assim como o extremo zelo consigo mesmo é inimigo do bem-estar".
...John Updike, escritor.

..."Nenhuma coisa poderia ser feita se o homem esperasse até poder fazê-la tão bem a ponto de ninguém encontrar falhas nela."
...John Henry Newman, cardeal inglês

...*Matéria publica pela Revista Vencer em junho de 2001.
...
www.vencer.com.br

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FAIXA DE EXCLUSÃO

...Desemprego atinge quase um quinto da população brasileira e está crescendo entre pessoas com mais de 40 anos de idade

...O desemprego entre as pessoas com mais de 40 anos, na região metropolitana de São Paulo, cresceu de 11% em 1985 para 19,8% em 2000, segundo pesquisa do Dieese e Seade. O crescimento é bem maior que em outras faixas etárias, como entre 18 e 24 anos (de 31,9% para 32,1%) e entre 25 a 39 anos (de 29,4% para 31,6%).

...O número frio esconde uma realidade perversa. O mercado de trabalho está excluindo quem chega aos 40 anos. Relativamente comum nas empresas privadas, que costumam demitir funcionários experientes para contratar jovens com salários mais baixos, a prática também atinge hoje o setor público. Quando era presidente da Caixa, o economista Emílio Carazzai sugeriu que os empregados mais velhos, a “massa velha”, fossem substituídos na empresa.

...O retrato na Caixa revela o que acontece no mercado de trabalho brasileiro em geral. O IBGE acabou de divulgar os dados do Censo 2000, segundo os quais há 46,7 milhões de pessoas com mais de 40 anos no Brasil, em uma população total de 169,8 milhões. Dos 46,7 milhões, 24,4 milhões fazem parte da população economicamente ativa (PEA) e 21,8 milhões estão fora do mercado de trabalho, por motivos como a falta de oportunidades, idade e outros. E, mesmo entre as pessoas que estão no mercado, 2,1 milhões apenas com mais de 40 anos estão desempregadas.O sociólogo Sadi Dal Rosso, professor da Universidade de Brasília, comenta que a crise de emprego que acontece em todo o mundo atinge principalmente “as pessoas com idade mais avançada, mesmo com capital cultural, e os jovens sem experiência”. A linha de corte, no primeiro caso, não é necessariamente aos 40 anos, mas um pouco acima.

...Dal Rosso alerta que “o desemprego no Brasil e na América Latina é tão grande que mesmo pessoas com qualificação não conseguem trabalho”. A solução pressupõe “uma política de Estado, que aproveite a qualificação do grande contingente de trabalho do país”. Ele aponta que, para reverter o quadro de desemprego, não basta a retomada do crescimento econômico, que não vai gerar os empregos necessários. “Na Europa, há outras iniciativas, como a redução da jornada, que vai gerar postos de trabalho mas contra a qual há uma resistência do empresariado. Já no Brasil isso é diferente. Temos uma quantidade muito grande de infra-estrutura necessária ainda a fazer, como as milhões de moradias em falta ou o saneamento precário”, sugere o sociólogo.

...O professor da UnB, autor de livros como “A jornada de trabalho na sociedade” e “O debate sobre a redução da jornada de trabalho”, tem doutorado pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos, e pós-doutorado pela Universidade de Milão, Itália. Ele é especialista em sociologia do trabalho, que analisa o trabalhador tanto em seu ambiente de trabalho quanto em seu grupo e classe social.

...Desemprego aflige também
...quem está trabalhando

...Para superar a crise mundial de emprego, o professor acredita que as pessoas com mais de 40 anos “dependem muito da bagagem que trazem de elementos culturais, profissionais, experiências anteriores”. Ou seja, “sua probabilidade depende desse estoque de experiências”. O sociólogo francês Pierre Bourdieu conceitua essa necessidade competitiva como “capital social ou cultural”, ou “um estoque de conhecimentos, experiências, vivên-cias, qualificações, que tornam um grupo, a princípio, mais apto a encontrar recolocação”.

...Se o desemprego aflige diretamente quase 20% da população brasileira, com maiores reflexos para quem passou dos 40 anos, mesmo quem tem um trabalho sofre suas conseqüências. Dal Rosso explica que “a situação atual age de forma perversa sobre quem está trabalhando, porque a competição pelos poucos postos de trabalho afeta e ameaça quem está trabalhando”.

...O professor da UnB lamenta ainda que esta situação atinja trabalhadores nesta idade, “o auge da produção profissional”, ou então pessoas com mais de 60 anos, que já deveriam estar aposentadas mas precisam de um emprego.

...A economista Maria da Graça Ohana Pinto, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego no Distrito Federal (PED-DF) pelo Dieese, acrescenta que a situação é agravada exatamente pela necessidade que as pessoas mais velhas têm de permanecer no mercado de trabalho. Segundo ela, “a queda na renda, pelo baixo rendimento da aposentadoria ou pelo aumento do desemprego entre os chefes de família, explica porque se intensifica o ingresso de outras pessoas da família no mercado”. É justamente entre as mulheres que se verifica um aumento na procura por emprego, “não somente pela emancipação feminina, mas pela necessidade familiar”.

...O Dieese também descobriu que a participação feminina no mercado de trabalho, apenas entre mulheres com mais de 40 anos, cresceu de 33,4% em 1989 para 40,1% em 1996.

Mudanças no mercado agravam a falta de empregos

...
Não é apenas o desemprego que marginaliza os trabalhadores, em especial quem tem mais de 40 anos. Adriana Gomes, vice-presidente da Catho, uma das maiores empresas de recrutamento e recolocação profissional do país, observa que o mercado no Brasil está passando por transformações muito rápidas e drásticas pelo menos nos últimos 12 anos, que afeta principalmente quem volta a procurar trabalho depois de muito tempo empregado. “Apesar deste movimento estar acontecendo desde 90, as pessoas não sentem as mudanças e a turbulência quando estão empregadas, mas sim quando voltam ao mercado”, explica Adriana. Ela completa que o problema acaba potencializado para quem passou dos 40, geralmente fora do contexto de inovações tecnoló-gicas e afastado de reciclagem profissional ou de formação.

...Para a especialista em empregos, “além do mercado ter ficado mais exigente de alguns anos para cá, existe ainda um preconceito por conta da idade”. Ela reitera que “isso não acontece tanto em cargos de alta gerência ou diretoria, mas os profissionais que não atingiram esse nível hierárquico têm dificuldades de competitividade”.
Mesmo com essa dificuldade imposta pelo mercado de trabalho, Adriana Gomes aponta algumas qualidades exclusivas dos profissionais com mais de 40 anos, que interessam a boa parte das empresas. “Experiência, que os mais jovens não têm, conta ainda mais se o profissional estiver reciclado e atualizado, porque o conhecimento de 10 anos atrás não vai servir para hoje”. Ela alerta inclusive que “quem está entrando no mercado hoje também precisa buscar conhecimento e atualização”.
O perfil de experiência e conhecimento anterior, segundo Adriana, é muito procurado por empresas menores. A conclusão vem a partir de pesquisas realizadas pelo grupo Catho, que mantém em sua página na internet um banco de dados com mais de 100 mil ofertas de empregos e 80 mil currículos de profissionais.

Preconceito contra a idade é maior na contratação

...O escritor Max Gehringer observa que preconceito maior com pessoas mais velhas, no mundo do trabalho, acontece na hora da contra-tação. “E ele vem de longe: os primeiros anúncios indicando ‘idade entre 25 e 40 anos’ vêm dos distantes anos 1970", lembra o ex-executivo, que deixou o topo das corporações depois de ter ocupado as direções de empresas como a Pepsi, Elma Chips e Pullman no Brasil, tendo começado a trabalhar como faxineiro, aos 12 anos. “Isso ocorre porque somos um país de jovens e as empresas sempre acreditaram - erroneamente - que a sempre grande oferta de candidatos mais jovens permitiria garimpar gente com mais entusiasmo e menos vícios profissionais”, acrescenta Gehringer, autor de crônicas hilárias sobre o mundo corporativo.

...Já as empresas que se desfazem de seus profissionais mais experientes, para ele, “supõem que um profissional mais jovem trará melhores resultados”. Entre os motivos, Gehringer aponta que “há a crença de que jovens têm menos restrições familiares, portanto podem trabalhar mais horas sem ter que dar explicações em casa, e estão mais disponíveis para deslocamentos”. Ainda outro fator é que “o jovem custa menos, e um exemplo é o plano médico, porque o jovem tem menos dependentes ou, geralmente, nenhum dependente”.

...Mesmo assim, o ex-executivo não acredita que a idade seja deter-minante para que um profissional passe a ser indesejável. Para Gehringer, “empresas descartam profissionais porque estão desatualizados e, portanto, menos aptos a acompanhar o ritmo das mudanças, principalmente as tecnológicas”. Ele refuta o que chama de “complô generalizado”. E acrescenta: “o que é valorizado é o resultado apresentado, independentemente da idade”.

...Com isso, Gehringer estima que “a melhor combinação para um profissional é a experiência com a atualização: pessoas que nunca pararam de estudar, fazendo cursos como computação e línguas, por exemplo, não têm por que serem descartadas”. Ele também aponta que a experiência acumulada, “que torna as pessoas com mais de 40 anos mais capazes de analisar bem uma situação antes de tomar uma decisão”, é uma vantagem óbvia para trabalhadores mais velhos.

Caixa quer pagar menos a profissionais mais jovens

...A busca de lucro com custos reduzidos por parte das empresas acompanha a justificativa da troca de profissionais experientes por outros, mais jovens, que aceitem ganhar menos. Até mesmo alguns setores da economia aceitam a justificativa, questionável, de que os trabalhadores com mais de 40 anos, necessariamente, não se atualizam. O presidente anterior da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai, no entanto, condensou em discurso não muito remoto todos os preconceitos indefensáveis contra os profissionais com mais experiência. Ainda no primeiro semestre de 2001, Carazzai, que tem 52 anos, apontou os principais “defeitos” dos empregados da Caixa: “idade média de 40 anos; tempo de casa muito grande; ausência de reposição de quadros; treinamentos seriam desnecessários se o corpo funcional fosse mais jovem; a ‘massa velha’ se constitui um estorvo”. Ou seja, os motivos que levam a Caixa a se desfazer de seus trabalhadores não têm nada a ver com reciclagem profissional ou acomodação.

...O foco exclusivo no mercado, que se choca contra a missão social da Caixa, fica mais claro a partir do contexto em que Carazzai apontou os problemas do corpo funcional da empresa. Ele apresentava ao Conselho de Administração da Caixa, à época, razões para a divisão da corporação em duas empresas, o que incluía o fim da prioridade à habitação. Carazzai, afastado da presidência este ano na esteira da briga entre PFL e PSDB, considerava como problema para a Caixa o fato da missão social ter preferência sobre o negócio bancário na empresa. “O desenvolvimento de atividades desfocadas ou descompro-missadas com resultados contribuíram e contribuem para o desfavorecimento financeiro da instituição”, disse ele.

Trabalhadores sem formação têm recolocação difícil

...Os empregados da Caixa em geral têm curso superior; os vários anos de casa em uma empresa pública respeitada, além disso, seriam fatores a favor numa eventual procura por emprego. É a chamada “bagagem de elementos culturais, profissionais e experiências anteriores” das quais falava Pierre Bourdieu. Mesmo para profissionais com o perfil dos trabalhadores da Caixa, no entanto, a crise de emprego é um fator de preocupação, ainda mais com os planos de demissão voluntária em seqüência - nos últimos 10 anos, já foram três.

...A situação para quem não tem essa formação ou conhecimento técnico acumulado, então, adquire contornos mais problemáticos. “Ainda temos no Brasil uma quantidade muito grande de pessoas que estão procurando trabalho”, avalia Sadi Dal Rosso, da UnB, que acrescenta: “e quem não tem qualificação é maioria, proporcionalmente, nesse grupo”.

...É o caso do goiano Raimundo Pereira de Souza, de 48 anos. Ele está sem trabalho há dois meses. “O mais difícil é que as empresas não têm vaga”, atesta. Como Raimundo Souza, o pernambucano Francisco de Assis, 44 anos, faz serviços gerais e tem enfrentado dificuldade para conseguir emprego. Assis fala que “antes não era difícil, mas agora tem muita firma de manutenção e as empresas preferem contratar essas firmas”. Ele acrescenta que “a pessoa tem que ter no mínimo dois anos de experiência, segundo grau e às vezes até um trabalho que não depende muito da escolaridade exige isso”.

...Por estar cansado de trabalhar em lugares que exigiam muito e pagavam pouco, o goiano Valdir Carlos da Silva, de 38 anos, resolveu virar lavador e guardador de carros há 12 anos. Nesse período, eventualmente trabalhou “fichado”. Mas ele lamenta que “muitas vezes trabalhar contratado rende uma mixaria que não compensa”.

...Com cerca de 27,5 milhões de pessoas com mais de 40 anos na população economicamente ativa, segundo dados do IBGE, é possível que até 5 milhões de pessoas estejam na mesma situação de Valdir, Raimundo, Francisco. A política de desemprego no Brasil nega condições de vida, saúde, saneamento, moradia, educação e alimentação para boa parte da população. E consegue ser ainda mais perversa para quem tem mais de 40 anos.

Especialistas apontam solidariedade como alternativa

...Autores como o alemão Ulrich Beck sustentam que o futuro do trabalho está no auto-emprego e no exercício de diferentes atividades profissionais. Com certa dose de razão, o sociólogo chamou a essa tendência de “brasilização do trabalho”. Basta ver a quantidade de profissionais autônomos, pequenos negociantes e camelôs nas ruas das grandes cidades para entender as razões do acadêmico.
Sadi Dal Rosso, da UnB, alerta que “o trabalho por conta própria também é sujeito às condições que regem a economia”. Por isso, muitos pequenos negócios fecham pouco depois de abrir as portas e um emprego com carteira assinada já é visto como paradigma de estabilidade numa economia cada vez mais informal.

...O Brasil já começa a discutir, no entanto, um passo à frente no conceito, que é a idéia de economia solidária. “A geração de trabalho fora da lógica capitalista inclui o sistema cooperativo, com a distribuição interna dos ganhos entre os trabalhadores, ou mesmo a solidariedade, que consiste na criação de postos de trabalho pelo qual as pessoas consigam seu sustento”, explica Dal Rosso.
Soluções dentro desta lógica, de acordo com o professor da UnB, devem ser adotadas não somente em momentos de crise econômica. Devem, inclusive, ser incentivadas pelos governos centrais. Isso já acontece na Europa. O governo socialista de Lionel Jospin criou o Ministério da Economia Solidária; a Espanha é o país das cooperativas; e a Inglaterra, berço do cooperativismo, também tem um sistema muito eficaz.

...No Brasil, há muitas entidades que procuram difundir a idéia do trabalho solidário. O sociólogo alerta, no entanto, que “o auto-trabalho ainda não provou ser eficaz para resolver o problema do desemprego, caso contrário não haveria pessoas sem trabalho”. Para ele, “não é a solução para o que vemos hoje no Brasil, apesar de preencher um papel fundamental, especialmente no campo”.

Pesquisa revela chances profissionais a partir das médias de idade

...Três levantamentos realizados em 1996 para a Catho com executivos de grandes empresas, por Thomas e Silvana Case, da Case Consultores, revelam que profissionais de gerência e administração com mais de 40 anos são considerados os mais pontuais, flexíveis - e ao mesmo tempo mais resistentes a mudanças -, os que exigem maior remuneração, mais lêem sobre negócios e tomam as melhores decisões. Na média das entrevistas, feitas com executivos de 31 empresas, “a idade mediana dos executivos com o melhor desempenho na empresa é 45 anos”.
Mesmo assim, num exercício proposto pelos pesquisadores, 70% dos entrevistados demitiriam um executivo de 60 anos que tivesse mesmo salário e desempenho que pares de 50, 40 e 30 anos. A pesquisa informa ainda: “a decisão depende em grande parte da idade do executivo respondente. O executivo de 60 anos demite menos executivos de 60 anos (57%) e mais de 30 anos (39%). O executivo jovem (29 anos ou menos) demite mais executivos de 60 anos (86%) e menos os de 30 anos (14%)”.

...A pesquisa ainda revela que “as empresas encontram meios de ‘se livrarem’ de executivos ou profissionais sem potencial para promoção, quando se tornam mais velhos”. O principal motivo apontado é que a seqüência de trabalho na mesma empresa faz com que ganhem até o dobro de um profissional em início de carreira.

...Crise psicológica e física se agrava pelas dificuldades com o trabalho
Para quem tem mais de 40 anos, a crise no mercado de trabalho acaba sendo potencializada pelos problemas naturais da idade. “A crise dos 40 realmente existe”, decreta o médico José Rodrigues, especialista em terapias alternativas. Ele observa que “ as pessoas acabam tendo uma série de problemas, principalmente emocionais, como a auto-estima em baixa, dúvidas com a performance sexual, crises no casamento e problemas no emprego”.

...O médico indica um círculo vicioso causado pelo preconceito do mercado de trabalho e da sociedade em geral sobre quem tem 40 anos ou mais: “tanto para quem procura quanto para quem consegue emprego, a ansiedade é muito grande, pela necessidade de corresponder às expectativas”. De outro lado, Rodrigues comenta que o principal antídoto contra o problema é “levantar a auto-estima, para a pessoa perceber que tem condições de superar todos os contratempos”, afinal, “aos 40 anos, a pessoa vai poder aplicar tudo o que aprendeu, pois está em sua maturidade profissional, física, sexual”.

Falta de cuidados aos 30 anos provoca problemas aos 40

...José Rodrigues comenta ainda que boa parte dos problemas físicos que surgem nas pessoas que têm mais de 40 anos são provocados pela falta de cuidados com o próprio corpo nos 10 anos anteriores. Ele atesta que “quem quer vencer profissionalmente acaba se esquecendo de outros aspectos da vida”. Caso a pessoa não tenha se prevenido mais cedo, o médico recomenda a retomada de uma atividade física, “que não seja tomada como uma obrigação e faça a pessoa se sentir bem”. A receita continua: alimentação bem balanceada e a busca regular por um profissional da área médica, para acompanhamento e orientação, além de exames periódicos.

...Coisas como controles rigorosos do colesterol e glicose, do peso também são necessárias, já que hipertensão arterial e diabetes são as doenças mais preocupantes a partir desta faixa etária. “E o estresse é o problema mais comum”, acrescenta Rodrigues.

...O estresse, segundo o médico, está na raiz de vários outros problemas, como dores na coluna, dores lombares, enxaqueca, tendinite. “A necessidade de atingir metas afeta muito o equilíbrio das pessoas”, reconhece ele.

...AGORA - FENAE Edição 30 - ano 5 - n°2 - junho de 2002

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