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ASSÉDIO MORAL – UM
ENSAIO SOBRE A EXPROPRIAÇÃO
DA DIGNIDADE NO TRABALHO
José Roberto Montes Heloani
...Alguns
autores costumam colocar a questão do assédio moral como
essencialmente individual, como uma "perversão do ego"
no âmbito estritamente psicopatológico, em que se dá
um silencioso assassinato psíquico. Entre os mais conhecidos, podemos
citar aquela que popularizou o conceito, Marie France Hirigo yen, em sua
primeira obra Assédio moral: a violência perversa no cotidiano,
embora em sua segunda obra, Mal estar no trabalho: redefinindo o assédio
moral , essa autora relativize a variável idiossincrática.
...A par disso, existe uma outra concepção
à qual nos filiamos que, não obstante mais complexa, também
considera cada indivíduo como produto de uma construção
sócio-histórica.. Sujeito e produtor de inter-relações
que ocorrem dentro do meio -ambiente social, com suas leis e regras. Diretrizes
estas que funcionam dentro de uma determinada lógica macroeconômica,
a qual subentende e incorpora relações de poder.
...Costumamos dizer que a discussão
sobre assédio moral é nova. O fenômeno é velho.
Tão velho quanto o trabalho, isto é, quanto o homem, infelizmente...
...No Brasil colônia, índios
e negros foram sistematicamente assediados, ou melhor, humilhados por
colonizadores que, de certa forma, julgavam-se superiores e aproveitavam-se
dessa suposta superioridade militar, cultural e econômica para impingir-
lhes sua visão de mundo, sua religião, seus costumes.
...Não raro esse procedimento, constrangedor
sob vários aspectos, vinha acompanhado de um outro que hoje denominamos
assédio sexual, ou seja, constranger-se uma pessoa do sexo oposto
ou do mesmo sexo a manter qualquer tipo de prática sexual sem que
essa verdadeiramente o deseje.
...De fato, relembrando as idéias
de Gilberto Freyre , em sua obra clássica Casa-Grande & Senzala:formação
da família brasileira sob o regime da economia patriarcal, as relações
entre brancos e "raças de cor" foram, no Brasil, condicionadas
bilateralmente – de um lado pela monocultura latifundiária
( o cultivo de cana-de- açúcar) no que diz respeito ao sistema
de produção econômica; e de outro, pelo sistema sócio-
familiar de cunho patriarcal, que se caracterizava pela escassez de mulheres
brancas na colônia. Essa monocultura açucareira acabou impossibilitando
a existência de uma policultura e de uma pecuária que pudessem
se instalar ao redor dos engenhos, suprindo- lhes, inclusive, as carências
alimentares. A criação de gado deslocou-se para o sertão,
e a casa- grande adquiriu características essencialmente feudais
–senhores de engenho, em sua maior parte patriarcais e devassos,
que dominavam, do alto de suas moradias, escravos, lavradores e agregados,
com mão-de-ferro.
...Sem querermos radicalizar ou extrapolar,
considerando a atual sociedade brasileira nos moldes da escravocrata,
pensamos que a humilhação no trabalho, ou o assédio
moral, sempre existiu, historicamente falando, nas mais diferentes formas.
Humilhação esta embasada no próprio sistema macroeconômico,
que, em seu processo disciplinar, favorece o aparecimento dessa forma
de violência, em que o superior hierárquico detém
um certo poder sobre seu subordinado.
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Boa leitura
...DICAS ANTERIORES:
-
Roberto Heloani (Jun/2005)
-
Ricardo Vieira (Mai/2005)
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Leandro Correa Martins (Fev/2005)
-
Leandro Correa Martins (Jan/2005)
-
Guilherme Patrus M.Pena (Dez/2004)
-
Waldir Biscaro (Nov/2004)
-
Regina
Martins (Out/2004)
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