|

A importância da entrevista
comportamental para um bom processo seletivo.
*Adriana Gomes
A entrevista de seleção costuma
ser desconfortável para muitos executivos tanto quanto
para quem é submetido a ela. Não raro, a entrevista
torna-se uma conversa informal sem conexões aparentes ou
torna-se tão ríspida e formal que acaba por não
obter o melhor do que essa importante ferramenta pode oferecer.
Em minha opinião, a entrevista é, ainda, um dos
mais importantes recursos para o sucesso de um processo seletivo.
Como minimizar a subjetividade nos processos seletivos
tem sido um dos grandes desafios da área de Recursos Humanos.
A entrevista comportamental, com suas bases bem definidas, torna-se
uma ferramenta que auxilia o entrevistador no sentido de direcionar
melhor o enfoque sobre questões relevantes ao cargo ou
funções bem como em relação às
responsabilidades que serão exercidas pelo futuro contratado.
Essa técnica busca, essencialmente, verificar
no repertório do candidato, as situações
vividas por ele que sejam próximas, similares às
que ele provavelmente viverá na posição para
a qual será contratado, evitando que ele crie cenários
que nunca existiram, hipotetizando soluções para
as quais ele nunca vivenciou.
Acredita-se que o candidato buscará aplicar soluções
com base em experiências já vividas e soluções
já apresentadas em situações semelhantes,
logo, se ele resolveu assim uma vez, tenderá a agir da
mesma maneira em situações próximas a essas.
Para a realização de uma boa entrevista
comportamental, é necessário um prévio estudo
das qualificações, conhecimentos e habilidades que
são desejadas e esperadas do candidato que ocupará
a posição. Sem o perfil das competências e
sem o delineamento das responsabilidades e abrangência do
cargo todo o processo tende a ficar comprometido e, não
são raras as vezes em que o contratante tem apenas um vaga
idéia do que espera do novo colaborador.
É muito útil e desejável
escrever um roteiro de perguntas para obtenção de
respostas que foquem essas competências.
Essas perguntas devem:
1. ser abertas específicas com verbos de ação
no passado
2. investigar a experiência passada do candidato
3. ter o objetivo de conhecer o comportamento do candidato em
situações específicas do cargo
4. ser planejadas para identificar a presença ou ausência
de competências do candidato nas suas rotinas e atribuições.
O entrevistador deve-se evitar todo tipo de perguntas
hipotéticas, sugestivas, indutivas e alternativas, visando
obter o maior número de comportamentos, atitudes e experiências
passadas para exemplificar cada situação.
Alguns exemplos de perguntas para entrevista comportamental:
• Quais foram as técnicas
que você utilizou com a sua equipe que deram resultado positivo?
• Descreva um situação, no seu emprego anterior
em que você teve um problema com um de seus colega e como
lidou com ela.
• Relate uma situação onde você trabalhava
em equipe e um dos membros da equipe não participava com
a parte dele. Como você se sentiu e o que fez para resolver
a questão?
• Descreva um colega difícil para se trabalhar e
como era o seu relacionamento com esta pessoa.
• Descreva o melhor chefe para o qual já trabalhou
e o que fazia dele uma pessoa especial.
As perguntas abertas não são respondidas com sim
ou não. Elas exigem do entrevistado um nível maior
de elaboração, mais detalhes. Exige também
que o entrevistado recorra a sua experiência anterior para
relembrar o cenário de cada uma das situações
solicitadas e coerência. Dificilmente uma pessoa consegue
criar rapidamente um cenário complexo de maneira tão
coerente em curto espaço de tempo, sem um preparo anterior.
Para quem pretende iniciar um processo seletivo com base no conceito
da entrevista comportamental , é preciso alguns exercícios
prévios para não ficar preso demais ao roteiro e
perder o conteúdo e qualidade das respostas do candidato,
uma vez que toda resposta pode gerar desmembramentos e aprofundamento
de algumas situações, enriquecendo, desta forma,
o conteúdo a ser observado.
Faço a sugestão de leitura
do livro Seleção por Competências de Maria
Odete Rabaglio – Educator, por ser um livro escrito
de forma bem didática e que permite ao leitor aplicar o
seu conteúdo a medida em que realiza a leitura.
* Adriana Gomes:
Mestre em Psicologia, pós-graduada em Psicologia Clínica,
psicóloga de formação. Ex-Vice presidente
do Grupo Catho, empresa onde atuou por 10 anos como Headhunter
e em Outplacement. Atualmente é professora do pós-graduação
da ESPM na cadeira de Fator Humano e no Instituto Pieron de Psicologia
aplicada, realiza palestras em empresas e escolas sobre Orientação
Profissional e de Carreira, atende em consultório particular
realizando Coaching, orientação vocacional, orientação
de carreira e psicoterapia. Responsável pelo site www.vidaecarreira.com.br.
Contatos: e.mail: adrianagomes@vidaecarreia.com.br
|