Postado por Adriana Gomes em 31 de julho de 2014 | Coaching

O dia das conversações corajosas

É preciso coragem para levantar e falar e também para sentar e ouvir

Em meu processo de amadurecimento cada vez fica mais claro que a ordem do dia é ter conversações corajosas.

O que são conversações corajosas? Todas aquelas conversações que precisamos ter conosco mesmo ou com os outros e que vamos adiando por uma série de razões.

Razões internas e externas (estas e muitas outras sempre fundamentadas nos nossos medos): medo de nos machucarmos ao enxergarmos a verdade  que pode doer, medo de perdermos a  autoimagem que demorou tanto tempo para ser construída, medo de perdermos a imagem que o outro tem de nós (duplo engano),  medo da reação do outro à nossa conversação corajosa, medo da eventual retaliação em caso de poder hierárquico, medo de perdermos amigos, de perdermos relacionamentos e assim por diante.

Às vezes até medo do medo de não sabermos como falar com o outro.

No entanto, no dia-a-dia tenho descoberto dois caminhos que funcionam muito bem para mim. Ser verdadeiro na expressão de meu sentir e ser amoroso ao ter conversações corajosas comigo mesmo e com o outro.

Ser verdadeiro não significa ser o dono da verdade, mas estar bem consciente de que em determinada situação aquilo traduz uma realidade na qual eu vivo ou o outro vive. Se quero afirmar  a “minha” verdade  perante o outro inevitavelmente estarei negando a verdade  do “outro” e isto por si só gerará conflito.

Nas conversações corajosas quando ambos somos verdadeiros e amorosos surge a possibilidade de juntos resolvermos a situação criando uma terceira “verdade” (possibilidade) comum.

O que é ser amoroso neste contexto? É ser empático, colocando-se no lugar de quem vai nos ouvir, sentindo os mesmos sentimentos que teríamos se estivéssemos naquela situação.

Um exemplo apenas para ilustrar: suponha que você entrou junto com seu colega ao mesmo tempo na empresa. Ficaram amigos, as famílias se frequentam, etc.

Você é promovido a líder deste colega e precisa dar-lhe alguns feedbacks. Como começar esta conversação corajosa?

De forma amorosa, por exemplo, dizendo-lhe que você terá de falar com ele mas isto está gerando em você sentimentos tais quais: “é difícil para mim ter de lhe falar isto em função de nossa amizade, mas embora não seja fácil tenho de fazê-lo porque meu cargo de liderança e minha coerência exigem que eu o faça…

Mas há que se ter a coragem de “ter a conversação corajosa”.

O famoso ditado “conhecei a verdade e ela vos libertará” faz todo o sentido ao desmancharmos crenças ilusórias que nos limitam ou limitam ao outro e nos impedem de avançar, mudar ou crescer.

Sermos verdadeiros é uma benção que nos liberta. No entanto, sermos verdadeiros ao ter conversações corajosas geralmente coloca-nos (quando a conversa é conosco) ou ao outro na defensiva.

A descoberta que fiz e que tenho praticado é a de ser verdadeiro com amorosidade.

Assim, por exemplo, entre pares em uma mesma organização há tantas coisas a serem ditas referentes aos “problemas” de trabalho mas nosso medo de perder a amizade ou da reação defensiva do outro faz com que fiquemos na inação.

Vamos refletir um pouco: se ficarmos sem ter as conversações corajosas que estes momentos exigem, estamos nos condenando a permanecer no estado de “coisas mal resolvidas”.

A quem isto ajuda? A ninguém! Eu perco, meu colega perde e a organização perde porque não há mudança de comportamentos, processos e ou rotinas. Vive-se o “estado do faz de conta”.

Neste estado ninguém cresce. Pior que isto, como escolhi não ter a conversação corajosa necessária não posso também me fazer de vítima das circunstâncias.

Recordo-me de um trecho de “O livro tibetano do morrer e do viver” de Sogyal Rinpoche, que desde 1999 me marcou profundamente com relação à amorosidade.

Como disse Stephen Levine: Quando seu medo toca a dor de alguém, torna-se piedade; quando seu amor toca a dor de alguém, torna-se compaixão.”

Sutil mas muito verdadeiro, não?  A compaixão nos iguala na condição humana.

Não somos nem superiores e nem inferiores e se a intenção de nosso coração é a de efetivamente nos ajudarmos ou ajudarmos ao outro a conversação corajosa acontecerá.

Pronto para ter suas conversações corajosas?

Aqui vai uma dicaduka: Se você é líder permita que seus liderados possam praticar a conversação corajosa…peça a eles regularmente feedback!

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Esse texto foi escrito pelo mestre e amigo Ricardo Farah e publicado originalmente na Exame. Ricardo é coach e consultor organizacional.

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